Sistema educacional brasileiro: o que é e como funciona

Entender o funcionamento do sistema educacional é o primeiro passo para investir na melhora da qualidade do ensino do país.

A educação faz parte da vida de grande parte dos brasileiros. Não por acaso, ela é vista como a principal ferramenta para o desenvolvimento pessoal e profissional do indivíduo. Ainda assim, o funcionamento do sistema educacional brasileiro é uma incógnita para muitos cidadãos.

Sozinha, a educação não vai resolver todos os problemas sociais do país, mas ela é sem dúvida um dos pilares fundamentais no desenvolvimento de cidadãos críticos e que se empenham na melhoria da sociedade como um todo. Por isso entender o funcionamento desse ecossistema educacional é tão importante: para que gestores, educadores e cidadãos possam cobrar do Estado o direito a uma educação de qualidade.

Confira neste artigo como funciona o sistema educacional brasileiro e qual é a situação atual da educação no Brasil.

MENU DE NAVEGAÇÃO

1 → O que é educação

2 → Como funciona o sistema educacional brasileiro

3 → A educação no Brasil hoje

1 → O que é educação

A educação é um direito de todo cidadão brasileiro, mas nem sempre foi assim. Ele só foi reconhecido dessa forma na Constituição Federal de 1988 — antes disso, o Estado não assumia a obrigação de garantir educação pública de qualidade para a população.

Podemos encarar a educação como um meio de transferirmos nosso conhecimento através das gerações. Mais do que garantir o desenvolvimento pessoal e profissional de cada indivíduo, ela também influencia a forma como a nossa sociedade evolui coletivamente. E, conforme a sociedade muda, o processo educacional muda também.

É dever do Poder Público elaborar leis e políticas públicas que fomentem a educação, assim como proteger e fiscalizar esse direito. Os cidadãos, por sua vez, tem o papel de cobrar esse retorno das autoridades competentes. Afinal, em um país marcado por desigualdades, e a educação atua como um instrumento fundamental na construção de uma sociedade mais igualitária.

2 → Como funciona o sistema educacional brasileiro

O sistema educacional brasileiro é regulamentado pela Constituição Federal de 1988 e pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), instituída pela lei nº 9394, de 1996. É a partir delas que o governo mantém programas educacionais pensados a partir da Base Nacional Comum Curricular (BNCC).

Atualmente, ele está organizado em sistemas de ensino da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. A educação infantil (para crianças de 0 a 3 anos) e o ensino fundamental (de 6 a 14 anos) são responsabilidade dos municípios, enquanto os Estados e o Distrito federal atuam sobre o ensino médio (de 15 a 17 anos) e parte do fundamental. Juntos, eles compõem a educação básica, que tem caráter obrigatório.

Já o ensino superior (que compreende cursos de graduação e pós-graduação) fica a cargo do governo federal, que também presta assistência técnica e financeira relativa à educação básica para os Estados, Distrito Federal e Municípios. Como os cursos de nível superior são opcionais, o Estado não precisa garantir que todos os cidadãos passem por eles, mas precisa garantir seu acesso público e gratuito.

Também fazem parte da educação formal o EJA (Educação de Jovens e Adultos), a educação especial (destinada a portadores de necessidades especiais), a educação profissional e o ensino de nível técnico (que tem o ensino médio regular como pré-requisito).

Além das Secretarias e Conselhos Municipais e Estaduais de Educação, o sistema educacional brasileiro também é regulado pelo Ministério da Educação (MEC) e Conselho Nacional de Educação (CNE).

3 → A educação no Brasil hoje

O cenário da educação no país não é muito animador. No Anuário de Competitividade Mundial 2020 (World Competitiveness Yearbook – WCY) divulgado em junho deste ano, o Brasil ficou em último lugar no fator educação. O país caiu duas posições em relação a 2019, ficando em 63° lugar. 

Quando falamos em gastos na educação em relação ao Produto Interno Bruto brasileiro (PIB), a porcentagem se assemelha a de países ricos, chegando a 6%. O valor gasto por estudante, no entanto, fica bem abaixo de outros países: enquanto no Brasil o investimento é de US$ 2.165, a média geral chega a US$ 6.363 por estudante. Isso acaba se refletindo também na porcentagem de brasileiros entre 25 e 34 anos que chega ao ensino superior: enquanto a média mundial é de 42,8%, a média brasileira não ultrapassa os 19,6%.

A taxa de analfabetismo entre pessoas de 15 anos ou mais, embora tenha apresentado uma melhora nos últimos anos, ainda está longe do ideal. Em 2019, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), a porcentagem de brasileiros analfabetos nessa faixa etária chegou a 6,6% (aproximadamente 11 milhões de brasileiros). A região que apresentou a maior taxa foi a Nordeste, com 13,9%, e entre pessoas pretas ou pardas a taxa foi maior que o dobro da registrada entre pessoas brancas (8,9% e 3,6%, respectivamente).

De 2019 para cá, o sistema de educação brasileiro passou por uma sequência de contratempos que acabam refletindo diretamente na qualidade do ensino em sala de aula. Trocas no Ministério da Educação, contingenciamento de verbas do MEC, recursos congelados e cortes de bolsas de mestrado, doutorado e pós-doutorado em universidades federais e a pandemia de coronavírus foram só alguns deles. Somado a isso, problemas conhecidos como a falta de infraestrutura nas escolas e a desvalorização de professores dificultam ainda mais o caminho em direção a um sistema educacional de qualidade.

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Avaliação diagnóstica de aprendizagem

A avaliação diagnóstica ajuda o educador a entender a causa das dificuldades dos estudantes em relação aos conteúdos.

O início de cada ciclo escolar é o momento ideal para o planejamento. Neste ponto são feitas as análises do que foi feito nos ciclos anteriores, quais melhorias precisam ser implementadas e quais ações devem ser descartadas. Só assim os educadores conseguem manter o padrão de ensino da instituição.

Identificar as dificuldades dos alunos, no entanto, pode ser um desafio. Ao mesmo tempo em que é preciso analisar por que a turma inteira tem dificuldades em uma matéria, também é preciso entender as particularidades de cada aluno.

A realização de uma avaliação diagnóstica é um recurso importante para que os docentes consigam elaborar um planejamento pedagógico adequado. Confira neste artigo no que consiste o método, a importância de aplicá-lo e como ele pode ajudar a delinear os processos de ensino da sua instituição.

MENU DE NAVEGAÇÃO

1 → O que é a avaliação diagnóstica de aprendizagem

2 → Por que é importante aplicar a avaliação

3 → Como e quando aplicar a avaliação

1 → O que é a avaliação diagnóstica de aprendizagem

Quando sentimos que algo está errado com nossa saúde, procuramos por um médico em busca de um diagnóstico. Depois da consulta e dos exames, esperamos a indicação de um tratamento adequado. A avaliação diagnóstica de aprendizagem segue a mesma lógica.

Através dessa avaliação, o docente consegue analisar quais são as causas das dificuldades enfrentadas pelos alunos, assim como suas habilidades e competências. A partir daí, é possível alinhar o plano de ensino, melhorar o entendimento dos conteúdos que necessitam de mais atenção e aumentar a produtividade dos alunos.

A avaliação diagnóstica tem um foco diferente das avaliações que apenas classificam os alunos através de notas. O objetivo dela não é apenas hierarquizar os alunos de 0 a 10, mas sim verificar se eles aprenderam o que foi ensinado em sala de aula. 

2 → Por que é importante aplicar a avaliação 

Perceber uma dificuldade do estudante e não trabalhar em cima do motivo é como ouvir um diagnóstico de um médico mas não receber um tratamento para solucionar o problema.

A avaliação diagnóstica não tem o objetivo de punir o aluno por não compreender um conteúdo, mas sim de entender onde seus problemas de aprendizagem começam. A partir daí, é possível fazer intervenções pedagógicas mais focadas e, consequentemente, mais eficazes.

A partir da avaliação diagnóstica, é possível determinar pontos de atenção que uma escala hierárquica baseada em pontuações não permite. Identificá-los com antecedência ajuda as instituições e os docentes a se planejarem melhor para implantar melhorias nos métodos de ensino de forma contínua.

Quando a origem das dificuldades de cada aluno não é investigada ou interpretada, o resultado é um acúmulo de falhas em sua formação que serão cada vez mais evidentes conforme ele avança em sua trajetória escolar. Para oferecer um ensino de qualidade, é fundamental focar na real aprendizagem e não somente na transmissão de conhecimentos.

3 → Como e quando aplicar a avaliação

Ainda a avaliação diagnóstica seja normalmente realizada no início do ano letivo, ela não precisa se restringir a esse período. Como o objetivo é analisar o processo de aprendizagem, é interessante que ela seja feita no início, no meio e no fim do ano.

No início do ano é possível ter uma ideia das dificuldades que os alunos trazem do ano anterior. Assim o professor não inicia suas atividades “no escuro” e já pode investir em ajustes pedagógicos desde o início. No meio do ano já é possível analisar se a metodologia aplicada e as atividades propostas estão surtindo efeito. Já no fim do ano, a avaliação diagnóstica permite avaliar os resultados de todo o ano.

Existem várias formas de realizar uma avaliação diagnóstica e para cada nível escolar haverá uma mais adequada. Estes são alguns instrumentos que os docentes podem utilizar para a avaliação:

Produção de textos

A escrita é uma forma de retomar inúmeros conhecimentos adquiridos ao longo da trajetória escolar. Ao mesmo tempo em que é possível avaliar regras gramaticais e níveis de escrita, também é uma ferramenta para analisar a capacidade argumentativa do aluno.

Leitura e interpretação de textos

A leitura está diretamente ligada à capacidade de interpretação, além de ampliar o repertório e o vocabulário dos alunos, o que é fundamental para a produção de textos. Um aluno que é estimulado a ler em sala de aula tem mais facilidade de aprender e de se comunicar de forma mais eloquente e persuasiva.

Exercícios matemáticos

Os exercícios matemáticos podem ser aplicados em vários níveis. É possível analisar a compreensão lógica do aluno ao mesmo tempo em que a capacidade de interpretação também é avaliada. Sempre que possível, é importante que os exercícios estejam conectados à realidade dos alunos.

Debates

A realização de debates é uma forma dinâmica de os alunos demonstrarem seus conhecimentos em suas próprias palavras e de elaborarem argumentos a partir de suas vivências. A interação com os colegas nesse tipo de atividade também ajuda a avaliar suas habilidades de convívio e interação social.

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Conheça os 4 tipos de avaliação escolar

Compreender e aplicar as diferentes avaliações é importante para obter um retorno mais completo sobre o aprendizado dos alunos e orientá-los no seu desenvolvimento escolar.

Se um professor quer provocar o caos em sala de aula, basta mencionar a palavra “prova”. 

Os processos avaliativos fazem parte do dia a dia de sala de aula, e são fundamentais para que o professor possa medir a evolução dos alunos e compreender suas dificuldades. Ao entender o nível de aprendizado dos alunos, é possível ajustar o plano de ensino à realidade deles, tornando a construção do conhecimento mais dinâmica e efetiva.

Também é através das avaliações que os pais e responsáveis conseguem observar o desempenho dos alunos e monitorar o seu progresso, já que não acompanham presencialmente cada etapa da rotina escolar. Isso também facilita a sua participação mais ativa no processo de ensino.

Ao contrário do que muitos pensam, as avaliações “valendo nota” constituem apenas um dos tipos de avaliação aplicadas ao longo do ano letivo. Neste artigo, você vai conhecer os quatro tipos de avaliação aplicadas nas escolas atuais: a avaliação diagnóstica, a formativa, a comparativa e a somativa. Confira:

1 → Avaliação diagnóstica

2 → Avaliação formativa

3 → Avaliação comparativa

4 → Avaliação somativa

1 → Avaliação diagnóstica

Como o nome diz, essa é a avaliação usada para que o professor possa ter um diagnóstico sobre o aprendizado do aluno. Além de entender suas as dificuldades, também é possível entender o que as origina.

Essa avaliação é normalmente realizada no início do ano letivo, para que o educador tenha um panorama geral do nível da turma antes de começar as atividades. Quando aplicada ao longo do ano, ela tem a função de verificar a evolução do aprendizado.

Através desta avaliação, o professor consegue identificar o que os alunos sabem, o que não sabem e o que precisam aprender. A partir daí, ele tem um norte para preparar seu plano de ensino e dedicar mais tempo às habilidades nas quais seus alunos enfrentam maiores dificuldades.

A avaliação diagnóstica pode ser realizada através de provas, debates, produção de textos, atividades, entrevistas, entre outras ferramentas, e não visa hierarquizar os alunos com notas de 0 a 10.

2 → Avaliação formativa

A avaliação formativa tem como foco a formação, ou seja, o aprendizado. Ela começa a ser realizada logo após o período de diagnóstico e segue ao longo de todo o ano letivo.

Depois que os conteúdos são ensinados em sala de aula, a avaliação formativa é aplicada em forma de exercícios e atividades. Através deles o aluno faz a retomada de conteúdos, assimila o que aprendeu e consegue expor quais pontos não foram compreendidos. Assim, ao mesmo tempo em que valem nota, as avaliações formativas também ensinam o aluno.

Essa é uma avaliação imprescindível para que o professor entenda, ao longo do percurso, se o aluno está seguindo em direção aos objetivos pretendidos e se está apto a avançar para as próximas etapas. Ela também traz resultados que possibilitam aos educadores investir na qualidade do ensino e adaptar seu trabalho com base nas necessidades dos alunos.

A avaliação formativa pode ser aplicada através de exercícios, atividades e trabalhos em grupo, por exemplo. Além deles, o caderno do aluno é um dos principais instrumentos desse tipo de avaliação. Ele contém o maior número de informações sobre o crescimento do aluno durante todo o período letivo, e ajuda a entender inúmeros aspectos que podem se refletir no seu aprendizado e desempenho em outras avaliações.

3 → Avaliação comparativa

É a avaliação aplicada ao final uma aula para avaliar de forma pontual se o aluno compreendeu o conteúdo ensinado naquele dia. É uma forma de comparar o aprendizado que o aluno tinha antes com o que ele adquiriu após a aula. Ao contrário da avaliação diagnóstica, por exemplo, aqui o desejado é que o aluno apresente domínio do conteúdo.

O ideal é que os pais tenham acesso recorrente aos resultados das avaliações comparativas para que possam entender os conteúdos que seus filhos não dominam e orientá-los no momento de estudo em casa.

4 → Avaliação somativa

Por fim, a avaliação somativa é a mais conhecida no dia a dia escolar. Ela é aquela avaliação que quantifica, que atribui uma nota aos estudantes. Diferentemente das outras avaliações, que têm foco qualitativo, a somativa é quantitativa.

A avaliação somativa é semelhante à comparativa no sentido de controle do aprendizado, porém abrange todos os conteúdos que os alunos aprenderam ao longo do ano. Como abrange uma grande diversidade de conteúdos, também não permite avaliar nenhum conceito com tanta profundidade. De maneira geral, é uma avaliação que vem para confirmar o resultado das avaliações anteriores.

Ainda que necessária, a avaliação somativa pode acabar, muitas vezes, tendo um caráter excludente. Ela é pontual e só avalia o resultado final, deixando de fora todo o percurso que o aluno percorreu para chegar até ele. Um aluno pode se sair bem na avaliação formativa, por exemplo, mas ficar sujeito à reprovação por não alcançar uma boa nota na somativa.

Daí a importância de trabalhar todas as avaliações em conjunto. Ao cruzar os resultados de cada uma, é possível obter uma visão holística do processo de aprendizado de cada aluno. Dessa forma, os educadores podem investir nos procedimentos pedagógicos mais adequados para garantir uma educação de qualidade.

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9 dicas de como elaborar questões

Mesmo para os docentes com muitos anos de sala de aula, a preparação de provas pode representar um desafio.

A preparação de provas faz parte da rotina de muitos professores. Elas são um meio de avaliar o aprendizado dos alunos na grande maioria das instituições e servem como um termômetro dos conteúdos que precisam ser reforçados.

Por mais simples que pareça, a elaboração de provas pode representar um teste para os próprios professores. Elas devem ser diversificadas e adequadas ao nível da turma e dos padrões da instituição. Além disso, é preciso desenvolver questões que avaliem os alunos ao mesmo tempo em que estimulam o seu pensamento crítico — e não existem fórmulas prontas para isso.

Para otimizar a sua rotina e ajudar você nessa tarefa, separamos 9 dicas simples sobre como elaborar questões. Confira:

MENU DE NAVEGAÇÃO

1 → Você precisa avaliar com uma prova?

2 → Por que é importante ter um consultor na sua escola?

3 → Entenda o nível da turma a ser avaliada

4 → Defina quais modelos de questão usar

5 → Utilize informações trabalhadas durante as atividades

6 → Defina peso para as questões

7 → Defina peso para as questões

8 → Construa um banco de avaliações

9 → Procure não utilizar a mesma avaliação sempre

1 → Você precisa avaliar com uma prova?

Provas não existem apenas para tirar o sono dos alunos. Elas são a forma mais comum de avaliar o seu desempenho e ter um diagnóstico do progresso da turma. Elas não são, no entanto, o único único instrumento de avaliação da qual os professores dispõem.

Por isso, antes de mais nada, reflita se elas são a única escolha levando em conta a realidade da sua instituição e os seus objetivos como educador. Provas por escrito são importantes, já que a simples observação do professor não é suficiente para uma análise aprofundada (ainda mais quando falamos de dezenas de estudantes), mas podem ser realizadas em conjunto com outras atividades que permitam uma avaliação contínua e diversificada.

Um ponto que merece a sua atenção ao elaborar questões para provas é se elas realmente indicam o quanto os alunos estão aprendendo. Do contrário, serão apenas testes que apenas atribuem um conceito aos alunos.

2 → Entenda o objetivo da avaliação (o que você quer avaliar?)

Assim como o item anterior, este é um ponto que acaba sendo esquecido em meio à rotina corrida de sala de aula. Analisar os porquês de uma avaliação, no entanto, é fundamental para que você consiga direcionar suas questões de forma correta.

Seus principais objetivos devem girar em torno de analisar o desempenho individual dos estudantes, entender se a turma está atingindo o nível esperado e ajustar métodos de ensino para aperfeiçoar os resultados. Questione-se também se a avaliação mensura o saber (a partir de conceitos e fatos), o saber + o fazer (que engloba a habilidade de lidar com conceitos e fatos) ou o fazer.

Também é importante estar atento em relação aos critérios de avaliação e aos parâmetros da escola. Ainda que melhorias possam ser propostas em relação ao sistema de ensino, é preciso levar em conta a padronização requerida pela instituição.

3 → Entenda o nível da turma a ser avaliada

Antes de elaborar questões é preciso saber qual é o nível adequado de dificuldade para cada turma. Se as provas forem muito difíceis, os alunos acabam se frustrando com resultados aquém do esperado. Se forem muito fáceis, podem desestimular o estudo, já que não proporcionam o desafio esperado de uma provas.

A idade dos alunos também precisa ser levada em conta. Provas muito longas não são indicadas para crianças até 10 anos, por exemplo, já que sua capacidade de concentração ainda é menor.

Conhecer o nível da turma também vai ajudar na hora de definir o vocabulário utilizado na elaboração das questões. O ideal é que as questões sejam claras e possam ser interpretadas com facilidade (o que não significa um vocabulário pobre, apenas adequado à realidade dos alunos).

4 → Defina quais modelos de questão usar 

Depois que você define os objetivos da sua avaliação e analisa o nível da turma, é hora de definir quais modelos de questão melhor se encaixam com a sua proposta. A matéria e o conteúdo a ser abordado na avaliação podem influenciar diretamente nessa escolha.

Questões discursivas, por exemplo, fazem mais sentido se o objetivo for avaliar os alunos a partir do seu pensamento crítico e capacidade de argumentação. Já questões objetivas, como as de múltipla escolha, costumam ser utilizadas quando o intuito é avaliar conhecimentos de nível conceitual e factual. Isso não quer dizer que esse tipo de questão não possa ser usada para avaliar produção de ideias e análises críticas; as questões de múltipla escolha também podem ser usadas nesse caso, mas a sua elaboração é mais complexa.

5 → Utilize informações trabalhadas durante as atividades

Um erro de muitos professores é elaborar suas questões que em nada se assemelham às atividades desenvolvidas em sala de aula. Surpreender os alunos com uma prova que não tem a ver com o seu dia a dia não acrescenta em nada e pode acabar interferindo negativamente no seu desempenho.

Além de abordar conteúdos com os quais eles já estejam familiarizados, atente-se também à forma como eles são trabalhados. Por exemplo: se você trabalha os assuntos em duplas ou de forma colaborativa entre toda a turma, pense em formas de incluir essa mesma dinâmica na avaliação.

6 → Defina peso para as questões

Você pode definir o quanto cada questão vai representar na nota final do aluno a partir do seu nível de dificuldade. Com base nisso, questões mais difíceis vão representar um peso maior, enquanto questões mais fáceis terão um peso menor. A correção seguirá a chamada Teoria Clássica, com a soma simples do valor de cada questão.

Em provas como o Enem, a média é calculada de uma forma diferente. Ela segue a Teoria de Resposta ao Item no qual, além do peso de cada questão, outros dois elementos influenciam na nota: o número de acertos e a análise da consistência do participante. Isso tudo faz com que o cálculo final seja complexo, mas pode ser um desafio interessante para ser aplicado em algum momento nos alunos do ensino médio, que logo prestarão o exame.

7 → Busque exemplos em outras avaliações

Mesmo que você elabore questões autorais, usar outras avaliações como exemplo vai ajudar você a entender a estrutura a ser seguida. Usar uma matriz de referência também é importante para que você possa direcionar as questões.

Para alunos do final do ensino fundamental e do ensino médio, buscar inspiração nas provas do Enem, por exemplo, é uma boa estratégia. Isso ajuda a familiarizar os estudantes com o tipo de questões que eles encontrarão em processos seletivos.

8 → Construa um banco de avaliações

O banco de avaliações permite que os professores gastem menos tempo no momento da elaboração de questões. Com soluções como a Studos, além de manter todos os conteúdos em um só lugar, também é possível utilizar filtros que facilitam ainda mais o acesso às avaliações desejadas.

Com essa economia de tempo, o professor consegue focar na orientação dos alunos, na busca por novas abordagens em sala de aula ou mesmo na elaboração de atividades que vão de encontro aos seus objetivos educacionais.

Além disso, manter esses conteúdos documentados facilita a gestão do conhecimento da instituição.

9 → Procure não utilizar a mesma avaliação sempre

Reaproveitar questões que abordem conteúdos fundamentais não é um problema, mas procure não utilizar sempre a mesma avaliação. Mesmo que cada avaliação seja utilizada uma vez por turma, sempre há o risco de ela não ser inédita para alguns alunos, o que pode interferir no resultado da avaliação.

Outro ponto de atenção está relacionado às mudanças constantes na educação como um todo, tanto em relação ao sistema quanto no que diz respeito à maneira como os alunos aprendem. E, por fim, uma mesma avaliação usada por muito tempo torna-se desatualizada e pode não condizer com a realidade dos estudantes.

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O que é uma matriz de referência

Diferente de propostas curriculares ou programas de ensino, as matrizes de referência servem para orientar a construção dos instrumentos de avaliação.

O termo matriz de referência está diretamente ligado às avaliações em larga escala, como é o caso do ENEM. Como o próprio nome indica, a matriz serve como referência para a elaboração de itens de testes e provas, indicando assim quais habilidades serão avaliadas. Também é a partir dela que são construídas escalas de proficiência para a análise do desempenho dos alunos.

Uma matriz de referência é composta por tópicos ou temas, cada um deles formado por grupos de descritores e não deve ser confundida com a matriz de ensino. A última tem como função especificar quais componentes curriculares precisam ser desenvolvidos ao longo de cada ano escolar enquanto a primeira apenas apresenta o objeto da avaliação.

É importante destacar que essa ferramenta serve como um parâmetro para relacionar as competências que os alunos devem ter adquirido no ano no qual se encontram, mas não deve substituir o currículo da escola de forma alguma.

Continue a leitura e entenda mais sobre as matrizes de referência na educação.

MENU DE NAVEGAÇÃO

1 → Para que serve a matriz de referência

2 → Como usar a matriz de referência para fins pedagógicos

3 → Matriz de referência do Enem

4 → O que são e para que servem os descritores

1 → Para que serve a matriz de referência

A principal função de uma matriz de referência é contribuir com o programa pedagógico. Usar essa ferramenta para avaliar se os alunos estão demonstrando as habilidades esperadas em cada etapa de sua formação permite não só que eles sejam melhor acompanhados, mas também auxilia os educadores a ajustarem e aprimorarem seus métodos de ensino.

A partir dos resultados da avaliação, os professores conseguem compreender melhor as dificuldades dos alunos e redirecionar seus esforços pedagógicos. Através da escala de proficiência os educadores também têm acesso à média da escola, o que dá um panorama mais amplo sobre as habilidades desenvolvidas de forma efetiva pelo conjunto de estudantes.

2 → Como usar a matriz de referência para fins pedagógicos

Avaliações bimestrais, trimestrais e semestrais são rotina em qualquer instituição de ensino. Para medir esse aprendizado, antes os educadores precisam definir planos de aula com as metas e objetivos a serem atingidos em determinado período. Além de usar o seu conhecimento como base, é possível recorrer a ferramentas que tornem essa tarefa mais assertiva, como é o caso da matriz de referência.

A matriz sinaliza se os alunos estão realmente aprendendo. Ainda que sejam normalmente utilizadas em provas de grande escala, elas também podem ser aplicadas em instituições de ensino de qualquer porte. A partir dela, os professores têm um norte sobre o que esperar do aluno e podem redirecionar suas táticas de ensino conforme a resposta da turma (da mesma forma que podem adaptar a matriz ao longo do período, de acordo com a realidade dos alunos e da instituição).

O segmento da educação muda constantemente. Por isso, o estímulo das instituições em relação ao uso de ferramentas como a matriz de referência por parte dos educadores ajuda a implantar reestruturações efetivas, que melhoram a qualidade de ensino e o desempenho individual dos alunos.

Uma boa forma de compreender e desenvolver a matriz é usar como base matrizes usadas em provas relevantes. Veja a seguir como funciona a matriz de referência do ENEM.

3 → Matriz de referência do Enem

O INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) disponibiliza a matriz de referência do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) através desse link. Ele pode servir como base para a construção das matrizes de referências da sua instituição.

Os eixos cognitivos comuns a todas as áreas do conhecimento são o domínio das linguagens, a compreensão de fenômenos, o enfrentamento de situações-problema, a construção da argumentação e a elaboração de propostas. Além deles, a definição dos conteúdos das provas é feita a partir de matrizes de referência em quatro áreas do conhecimento:

  1. Linguagens, códigos e suas tecnologias (que abrange o conteúdo de Língua Portuguesa, Literatura, Língua Estrangeira (Inglês ou Espanhol), Artes, Educação Física, e Tecnologias da Informação e Comunicação);
  2. Matemática e suas tecnologias;
  3. Ciências da Natureza e suas tecnologias, que abrange os conteúdos de Química, Física e Biologia;
  4. Ciências Humanas e suas tecnologias, que abrange os conteúdos de Geografia, História, Filosofia e Sociologia.

Para cada uma dessas áreas, são definidos tópicos ou temas, que subdividem o conteúdo, seguidas de seus descritores, cuja definição você pode conferir a seguir.

4 → O que são e para que servem os descritores

As matrizes de referência reúnem diversos tópicos/temas que, por sua vez, agrupam conjuntos de habilidades das diversas áreas do conhecimento. Os descritores, como o nome sugere, descrevem essas habilidades esperadas dos alunos, de forma a orientar a elaboração dos testes.

Confira como isso funciona na prática:

Matriz de Referência

Linguagens, Códigos e suas Tecnologias

Tópico

Aplicar as tecnologias da comunicação e da informação na escola, no trabalho e em outros contextos relevantes para sua vida.

Descritores

– Identificar as diferentes linguagens e seus recursos expressivos como elementos de caracterização dos sistemas de comunicação.

– Recorrer aos conhecimentos sobre as linguagens dos sistemas de comunicação e informação para resolver problemas sociais.

– Relacionar informações geradas nos sistemas de comunicação e informação, considerando a função social desses sistemas.

– Reconhecer posições críticas aos usos sociais que são feitos das linguagens e dos sistemas de comunicação e informação.

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Censo da educação superior: o que é e importância

Avaliar aspectos ligados à educação superior é fundamental para melhorar a qualidade do ensino oferecido nas instituições de nível fundamental e médio.

Os gestores à frente de instituições de ensino fundamental e médio entendem bem o desafio de sobreviver em meio ao cenário competitivo da educação. Neste contexto, conhecer e analisar os indicativos ligados à situação atual da educação no Brasil pode contribuir de forma significativa na definição de metas e estratégias organizacionais.

Todos os anos o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), vinculado ao Ministério da Educação (MEC), realiza levantamentos e divulga dados sobre o sistema de ensino como um todo no país. O Censo da Educação Superior é um desses indicativos. Ele permite que acompanhemos as políticas do setor, assim como seus participantes.

O Censo também contribui para o cálculo de indicadores da qualidade da educação, como o Cálculo Preliminar de Curso (CPC) e o Índice Geral de Cursos (IGC). Dados como esses servem como base para avaliar a qualidade das instituições de ensino superior. Mesmo que não estejam diretamente ligados ao ensino fundamental e médio, dão um panorama importante para auxiliar na construção de ações e melhorias para a sua instituição.

Confira neste artigo como o Censo da Educação Superior funciona e como você pode usar esses dados a favor do seu negócio.

MENU DE NAVEGAÇÃO

1 → O que é o Censo da Educação Superior

2 → Todas as instituições de ensino superior devem participar do Censo?

3 → A importância do censo para minha instituição

4 → Benefícios Como usar os dados do censo a favor do seu negócio

1 → O que é o Censo da Educação Superior

O Censo da Educação Superior é um instrumento de pesquisa aplicado anualmente pelo Inep. Esse censo abrange todas as instituições de educação superior (IES) que ofertam cursos de graduação (presencial ou à distância) e cursos sequenciais, o que inclui desde universidades, faculdades e centros universitários até Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia (IFs) e Centros Federais de Educação Tecnológica (Cefets).

O principal objetivo dessa coleta é fornecer informações detalhadas sobre a situação do setor, tanto à comunidade acadêmica quanto à sociedade em geral. Ela é realizada a partir do preenchimento de questionários por parte das instituições, que são posteriormente importados para o Sistema e-MEC.

Após validações, correções e conferências, o Censo é finalizado. As informações são divulgadas pelo InepData em forma de Sinopses Estatísticas e Microdados, a fim de manter a transparência dos dados coletados e torná-los acessíveis à população.

2 → Todas as instituições de ensino superior devem participar do Censo?

As instituições de ensino superior têm obrigatoriedade legal de fornecerem os dados exigidos pelo Censo da Educação Superior. A participação, inclusive, é pré-requisito para que essas instituições possam exercer atividades como:

  • A participação no Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior – SINAES;
  • Adesão ao Fundo de Financiamento Estudantil (FIES) e ao Programa Universidade para Todos (PROUNI);
  • Participação nos programas de bolsas mantidos pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – CAPES e;

  • Autorização, reconhecimento e renovação de reconhecimento da instituição.

3 → A importância do censo para minha instituição

“Ok, mas por que o Censo da Educação Superior é importante para a minha instituição de ensino básico e médio?”

Pode não fazer muito sentido em um primeiro momento, mas conhecer os dados divulgados pelo Censo é um indicativo importante de melhorias nas quais o sistema educacional como um todo deve trabalhar.

Altas taxas de desistência de alunos do ensino superior reforçam a importância de investir em mudanças no ensino médio, por exemplo. Quando não têm uma base forte durante os anos escolares, os estudantes acabam chegando no ensino superior despreparados e acabam desistindo de continuar o curso.

A falta de orientação vocacional pode ser outra lacuna que repercute diretamente na evasão futura dos alunos. Muitas escolas acabam focando apenas na preparação para os processos seletivos, sem investirem em ferramentas que auxiliem na difícil escolha sobre qual carreira seguir. Sendo assim, ao se depararem com um curso que não atende às suas aptidões e desejos, eles acabam se frustrando e desistindo de continuar.

4 → Como usar os dados do censo a favor do seu negócio

Orientação para o plano de ensino

Acompanhar os dados do Censo da Educação Superior pode ajudar no desenvolvimento do plano de ensino de educadores do ensino fundamental e médio, já que permite a análise das possíveis dificuldades dos alunos e orienta sobre os possíveis pontos de atenção.

Oferecer orientação vocacional

Várias escolas já progrediram nesse sentido, mas muitas ainda não oferecem esse tipo de direcionamento para seus alunos. Além de ajudá-los a tomar decisões mais conscientes no futuro, oferecer orientação vocacional na sua instituição pode representar um diferencial competitivo importante na hora de buscar e reter alunos.

Conhecimentos integrados

Muitos alunos que concluem o ensino médio possuem problemas de leitura, interpretação, escrita e resolução de problemas básicos de matemática. Dificuldades assim podem ter origem na base da educação que foram sendo deixadas de lado até se tornarem mais evidentes durante e após o ingresso no ensino superior.

Ao rever a estrutura de ensino buscando diminuir a fragmentação do conhecimento, é possível trabalhar de uma forma mais coesa e integrada na formação do pensamento crítico do aluno. Dessa forma, ele conseguirá entender de uma forma mais realista as demandas acadêmicas que irá enfrentar no futuro.

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