Tema da redação Enem 2019: a democratização do acesso ao cinema no Brasil

O tema da redação do Enem 2019 surpreendeu muitos estudantes com a democratização do acesso ao cinema no Brasil. Por isso, o professor Everaldo Radlinski analisou cada texto de apoio e destacou alguns pontos que você poderia ter abordado na prova! Vamos lá? 😉

Textos de apoio ao tema da redação Enem 2019:

Texto I

No dia da primeira exibição pública de cinema – 28 de dezembro de 1895, em Paris – um homem de teatro que trabalhava com mágicas, Georges Mélies, foi falar com Lumière, um dos inventores do cinema; queria adquirir um aparelho, e Lumière desencorajou-o, disse-lhe que o “Cinematographo” não tinha o menor futuro como espetáculo, era um instrumento científico para reproduzir o movimento e só poderia servir para pesquisas. Mesmo que o público, no início, se divertisse com ele, seria uma novidade de vida breve, logo cansaria. Lumière enganou-se. Como essa estranha máquina de austeros cientistas virou uma máquina de contar estórias para enormes plateias, de geração em geração, durante já quase um século? 

BERNARDET, Jean-Claude. O que é Cinema. In BERNARDET, Jean-Claude; ROSSI, Clóvis. O que é Jornalismo, o que é Editora, O que é Cinema. São Paulo: Brasiliense, 1993.

O texto 1 acentua a possibilidade de abordagem histórica quando fala do nascimento do cinema e também questiona retoricamente a importância dessa arte no contar estórias as distintas gerações por mais de um século.

Ideia possível de ser explorada no texto:

Aspecto histórico dos irmãos Lumière, do cinema mudo e depois falado, as Chanchadas, o Cinema Novo, as Pornochanchadas; e a possibilidade de citar filmes já assistidos como “Dona Flor e seus Dois Maridos”, “Que é isso Companheiro?”, “Tropa de Elite”, entre outros.

Texto II

Edgar Morin define o cinema como uma máquina que registra a existência e a restitui como tal, porém levando em consideração o indivíduo, ou seja, o cinema seria um meio de transpor para a tela o universo pessoal, solicitando a participação do espectador. 

GUTFREIND, C. F. O filme e a representação do real. E-Compos, v. 6, 11, 2006 (adaptado).

O texto 2 explora, pelo recorte textual, a “função” do cinema a partir do olhar pessoal do espectador que vê a cena, recria o assistido pelo olhar e compreende o mundo por sua interpretação. Isso pela definição de “máquina de projeção” da vida segundo o antropólogo e sociólogo francês.

Ideia possível de ser explorada no texto:

A interpretação de um filme épico ou de muita bilheteria e a interpretação de sua mensagem.

Texto III

O texto 3, um infográfico, expõe a afirmação de crescimento do “ir ao cinema” pelo brasileiro e, ainda, do interesse no assistir a filmes pela TV: uma consideração que não menciona qual público frequentador nem considera o advento tecnológico moderno que mudou o lazer social nos últimos anos. O recorte estatístico só ganharia luz se o candidato o comparasse ao texto IV quando entenderia o privilégio de alguns e, portanto, como esta arte passou de contadora de estórias da existência do início, para veículo de entretenimento de um público endinheirado e pronto para recepcionar produtos “enlatados” das grandes produtoras.

Ideia possível de ser explorada no texto:

A menção às séries e aos seriados passados na TV e o gosto do brasileiro. Falar da procura por esta arte a partir da consideração dos números do recorte como índice aferidor da vontade.

Texto IV

O Brasil já teve um parque exibidor vigoroso e descentralizado: quase 3 300 salas em 1975, uma para cada 30 000 habitantes, 80% em cidades do interior. Desde então, o país mudou. Quase 120 milhões de pessoas a mais passaram a viver nas cidades. A urbanização acelerada, a falta de investimentos em infraestrutura urbana, a baixa capitalização das empresas exibidoras, as mudanças tecnológicas, entre outros fatores, alteraram a geografia do cinema. Em 1997, chegamos a pouco mais de 1 000 salas. Com a expansão dos shopping centers, a atividade de exibição se reorganizou. O número de cinemas duplicou, até chegar às atuais 2 200 salas. Esse crescimento, porém, além de insuficiente (o Brasil é apenas o 60° pais na relação habitantes por sala), ocorreu de forma concentrada. Foram privilegiadas as áreas de renda mais alta das grandes cidades. Populações inteiras foram excluídas do universo do cinema ou continuam mal atendidas: o Norte e o Nordeste, as periferias urbanas, as cidades pequenas e médias do interior.

Disponivel em: https://cinemapertodevoce.ancine.gov.br. Acesso em: 13 jun. 2019 (fragmento).

O texto 4 deixa bem clara a intencionalidade da prova a partir da comparação do comando “Democratização do acesso ao cinema no Brasil” e o final do texto que explicita o caráter excludente que a sétima arte assumiu na contemporaneidade. Logo, o candidato perceberia a abordagem crítica a ser produzida em sua dissertação, uma vez que certas Regiões brasileiras e determinado público ficam à margem dessa maravilha ficcional.

A argumentação deveria explorar a exclusão social que o cinema (re)produz hoje, ora pelo olhar financeiro; ora pela própria produção como um folhetim preparado e direcionado; ora, ainda, pelos contextos das salas de cinema e seu público frequentador. 

Possível ação interventiva:

…  requer uma política pública inclusiva de caráter monetário-cultural.

E aí, o que achou? Você abordou algum desses tópicos na sua redação do Enem 2019? 😍

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