Tecnologia e Educação na BNCC

Sabe-se que a tecnologia e a educação estão passando por uma grande mudança. Essa modificação se dá devido à necessidade de adaptar as novas formas de adquirir conhecimento com o universo tecnológico no qual vivemos. Assim, nesse contexto de mudanças constantes que a tecnologia proporciona, os educadores estão cada vez mais procurando meios de se adaptar às novas realidades.

Mas o que a tecnologia e Educação na BNCC têm em comum? Na verdade, elas possuem um relação direta uma com a outra. A BNCC vem para atender uma demanda urgente de qualificar a educação no Brasil, de maneira que a equidade no ensino seja garantida. Desse modo, todos os alunos do país devem ter o direito de acessar uma educação atualizada e de qualidade, independente da região em que estejam estudando.

Além de trazer a necessidade de fornecer uma educação isonômica, a BNCC também conduz a preocupação de melhoria do sistema de educação. O domínio de tecnologias é um dos pontos que a norma aborda. Se é inegável que os jovens de hoje em dia possuem processos de aprendizagem conectados às informações na internet e mídias sociais, os educadores também devem estar atentos aos novos modos de ensinar e aprender.

Nesse sentido, de forma explícita, a BNCC traz duas competências nas quais é apontada a necessidade de desenvolver os conhecimentos de tecnologia na educação, mais a frente irei comentar sobre elas. Mas, primeiramente, vamos entender um pouco mais o que é a BNCC.

O que é a Base Nacional Comum Curricular?

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é um documento que tem por missão fornecer às instituições de ensino particular ou público, uma diretriz de abrangência nacional obrigatória para a confecção ou adaptação de currículos e proposituras pedagógicas. Ela foi baseada nos mais qualificados sistemas educacionais do mundo e já foi homologada para o ensino na Educação Infantil e no Ensino Fundamental.

A BNCC preconiza o conjunto de aprendizagens essenciais que os alunos precisam desenvolver em uma trajetória natural das etapas e modalidades da Educação Básica, de forma a assegurar os direitos de aprendizagem e desenvolvimento conforme o Plano Nacional de Educação (PNE).

O desenvolvimento das aprendizagens essenciais visa garantir aos estudantes o aperfeiçoamento de dez competências gerais em que, por definição da norma, são concentrados os conhecimentos (conceitos e procedimentos), habilidades (práticas, cognitivas e socioemocionais), atitudes e valores, para resolver as necessidades heterogêneas contemporâneas, do pleno exercício da cidadania ao mundo do trabalho.

As 10 competências gerais da base nacional comum curricular são:

  1. Valorizar e utilizar os conhecimentos historicamente construídos sobre o mundo físico, social, cultural e digital para entender e explicar a realidade, continuar aprendendo e colaborar para a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva.
  2. Exercitar a curiosidade intelectual e recorrer à abordagem própria das ciências, incluindo a investigação, a reflexão, a análise crítica, a imaginação e a criatividade, para investigar causas, elaborar e testar hipóteses, formular e resolver problemas e criar soluções (inclusive tecnológicas) com base nos conhecimentos das diferentes áreas.
  3. Valorizar e fruir as diversas manifestações artísticas e culturais, das locais às mundiais, e também participar de práticas diversificadas da produção artístico-cultural.
  4. Utilizar diferentes linguagens – verbal (oral ou visual-motora, como Libras, e escrita), corporal, visual, sonora e digital –, bem como conhecimentos das linguagens artística, matemática e científica, para se expressar e partilhar informações, experiências, ideias e sentimentos em diferentes contextos e produzir sentidos que levem ao entendimento mútuo.
  5. Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares) para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva.
  6. Valorizar a diversidade de saberes e vivências culturais e apropriar-se de conhecimentos e experiências que lhe possibilitem entender as relações próprias do mundo do trabalho e fazer escolhas alinhadas ao exercício da cidadania e ao seu projeto de vida, com liberdade, autonomia, consciência crítica e responsabilidade.
  7. Argumentar com base em fatos, dados e informações confiáveis, para formular, negociar e defender ideias, pontos de vista e decisões comuns que respeitem e promovam os direitos humanos, a consciência socioambiental e o consumo responsável em âmbito local, regional e global, com posicionamento ético em relação ao cuidado de si mesmo, dos outros e do planeta.
  8. Conhecer-se, apreciar-se e cuidar de sua saúde física e emocional, compreendendo-se na diversidade humana e reconhecendo suas emoções e as dos outros, com autocrítica e capacidade para lidar com elas.
  9. Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação, fazendo-se respeitar e promovendo o respeito ao outro e aos direitos humanos, com acolhimento e valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, seus saberes, identidades, culturas e potencialidades, sem preconceitos de qualquer natureza.
  10. Agir pessoal e coletivamente com autonomia, responsabilidade, flexibilidade, resiliência e determinação, tomando decisões com base em princípios éticos, democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários.

O que percebemos dentre as 10 competências apresentadas pela BNCC é a importância de abranger a tecnologia e educação. A tecnologia é uma realidade categórica para a maioria dos pertencentes da geração Z (nascidos em 1995 e 2010). A grande parte dos jovens que atualmente estão em sala de aula, nasceram em uma realidade em que a tecnologia e a linguagem digital são preponderantes.

Portanto, para que haja aprendizado em conformidade com o universo dos alunos, faz muito sentido que haja, também, a presença da tecnologia e educação integradas.

Como já sabemos, a BNCC traz duas competências em que a tecnologia tem a participação fundamental para o desenvolvimento de competências essenciais. Vamos olhá-las mais de perto!

A Tecnologia e Educação na BNCC

O primeiro momento em que notamos a presença da tecnologia no desenvolvimento de competências pela BNCC é na quarta competência:

Competência 4:

Utilizar diferentes linguagens – verbal (oral ou visual-motora, como Libras, e escrita), corporal, visual, sonora e digital –, bem como conhecimentos das linguagens artística, matemática e científica, para se expressar e partilhar informações, experiências, ideias e sentimentos em diferentes contextos e produzir sentidos que levem ao entendimento mútuo.

Nesta competência, a tecnologia vem na faceta das linguagens digitais na qual representa uma das diferentes formas de linguagem no processo de comunicação. A competência demonstra a importância de dominar não somente a leitura e a escrita, mas também os mais diversos modelos de expressão e plataformas.

Importante destacar que a ideia não é extinguir métodos tradicionais e sim agregar e melhorar a aprendizagem conforme a realidade contemporânea e aproximar a tecnologia e educação.

A segunda competência na qual a tecnologia se faz presente é a:

Competência 5:

Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares) para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva.

Na quinta competência, a tecnologia aparece de forma mais explícita demonstrando a preocupação que a BNCC identifica em dar mais protagonismo a relação da tecnologia e educação no processo de aprendizagem. Nesta competência o objetivo é classificar a relevância do uso de tecnologias conforme o pensamento crítico e a responsabilidade quanto ao uso. A exemplificação dessas competências é percebida em escolas que usam plataformas interativas de ensino.

O aluno que vive constantemente em mídias sociais passa a também usar seus dispositivos tecnológicos para também adquirir e desenvolver conhecimentos. Outra forma interessante de desenvolver essas competências, são as aulas de programação e desenvolvendo a linguagem digital.

Nessas aulas os alunos conhecem a fundo os códigos e a linguagem digital a fim de, eles mesmos, criarem aplicativos com a intenção de resolver problemáticas em torno da realidade da comunidade ou até mesmo problemas do país

Conclusão

Por mais que a internet e o uso de ferramentas tecnológicas possam ser inevitáveis ao progresso, é indispensável o desenvolvimento de condutas críticas e responsáveis perante um universo vasto de informações, boas ou ruins, as quais os jovens estão sujeitos.

Assim, ambas competências estão conectadas com as formas contemporâneas de comunicações e informações que visam impactar não somente uma realidade particular mas sim coletiva.

A carência pela adequação da realidade do ensino para qualificar os jovens a desenvolver o senso crítico e dominar outras formas de expressão e comunicação bem como agregar a tecnologia e educação é latente e por esta razão a BNCC pretende direcionar e conciliar o ensino cada vez mais isonômico e qualificado em todas as escolas.

E você? Já está adaptando a sua instituição de ensino para desenvolver em seus alunos as competências de tecnologias trazidas pela BNCC?

Fernanda Ribeiro - Customer Success da Studos