O que é taxonomia de Bloom

O sistema de classificação criado nos Estados Unidos na década de 50 é usado como modelo para a definição dos objetivos de aprendizagem.

Faz parte da rotina de todo professor no início do semestre definir os objetivos de aprendizagem do seu plano de ensino. Esse planejamento é fundamental para que o docente consiga elaborar as atividades de um determinado período, assim como a forma de avaliar os alunos com base no que foi ensinado.

Mas aí surge a dúvida: será que a forma como você está avaliando seus alunos é compatível com os objetivos de aprendizagem definidos no plano de ensino? Será que as atividades realizadas ao longo do semestre condizem com a ferramenta de avaliação proposta?

Dúvidas assim podem atingir tanto professores em início de carreira quanto os mais experientes. Para facilitar o processo de ensino e aprendizagem, os educadores podem recorrer à taxonomia de Bloom. Entenda o conceito e as formas de aplicá-lo no artigo abaixo.

MENU DE NAVEGAÇÃO

1 → O que é a taxonomia de Bloom

2 → Como é estruturada a taxonomia

3 → Como aplicar a taxonomia de bloom

1 → O que é a taxonomia de Bloom 

A taxonomia dos objetivos educacionais, normalmente conhecida como taxonomia de Bloom, é um sistema de classificação que estrutura os objetivos educacionais de forma hierárquica. O conceito surgiu no Estados Unidos, na década de 1950, como resultado do trabalho de uma comissão multidisciplinar liderada por Benjamin S. Bloom.

Segundo essa classificação, o aprendizado pode ser classificado em três domínios:

  • Cognitivo, que refere-se à aprendizagem intelectual;
  • Afetivo, que diz respeito aos aspectos de sensibilização e gradação de valores e;
  • Psicomotor, que engloba as habilidades de execução de tarefas que dependam do sistema motor.

Cada domínio é composto por diversos níveis de profundidade, o que leva a taxonomia de Bloom a ser vista como uma hierarquia. Em outras palavras, cada nível é mais complexo que o anterior, e os alunos apenas

alcançam os objetivos superiores depois de superarem os inferiores. Se pensarmos em uma pirâmide, quanto mais alto for o objetivo maior é a aprendizagem.

2 → Como é estruturada a taxonomia

Domínio cognitivo

O domínio cognitivo é o mais conhecido e explorado, sendo também o mais utilizado em instituições de ensino de todo o mundo. Ele compreende 6 níveis: conhecimento, compreensão, aplicação, análise, síntese e avaliação.

Em 2001, esse níveis passaram por mudanças em suas terminologias, tendo sido alterados de substantivos para verbos.

Para tornar a aplicação mais prática, os educadores podem adotar determinados verbos referentes ao comportamento esperado para organizarem seus objetivos.

1) Lembrar (Conhecimento): este nível se baseia na capacidade do aluno de memorizar ideias e conceitos. Ele também já pode ser capaz de reproduzi-los, mesmo que em um contexto diferente do original.

Verbos: listar, descrever, apontar, recordar, repetir…

2) Entender (Compreensão): aqui o aluno já consegue interpretar as informações e associá-las a seus conhecimentos adquiridos na etapa anterior.

Verbos: resumir, interpretar, executar, examinar, expressar…

3) Aplicar (Aplicação): depois o aluno já compreende os conhecimentos adquiridos, ele já consegue aplicá-los na resolução de problemas.

Verbos: classificar, experimentar, aplicar, praticar, usar…

4) Analisar (Análise): neste nível, o aluno deve ser capaz de analisar e comparar diferentes partes de um problema e, a partir daí, classificar informações e levantar hipóteses para solucioná-lo.

Verbos: explicar, diferenciar, ordenar, alcançar, reunir…

5) Sintetizar (Síntese): nesta etapa, o aluno já consegue combinar seus conhecimentos em busca da solução.

Verbos: ranquear, avaliar, concluir, agir

6) Criar (Avaliação): por fim, o aluno já consegue avaliar de forma crítica tudo o que compõe o problema.

Verbos: avaliar, combinar, planejar, efetivar, compor, validar…

Aqui fica clara a interdependência entre os níveis: um aluno só conseguirá avaliar um problema se tiver conhecimento e compreensão prévia sobre o assunto.

Domínio afetivo

Voltado para a consciência e o crescimento dos alunos quanto a atitudes, emoções e sentimentos. São identificadas 5 subáreas também ordenadas hierarquicamente: recepção, resposta, avaliação, organização e caracterização.

1) Recepção: é quando o aluno adquire consciência sobre emoções e atitudes, tanto próprias e quanto das pessoas ao seu redor.

2) Resposta: os alunos passam a atender aos estímulos da etapa anterior e reagem a eles.

3) Avaliação: é um comportamento internalizado e consciente, no qual os alunos atribuem valores às informações.

4) Organização: é quando o aluno já é capaz de administrar e priorizar suas ações.

5) Caracterização: aqui as características pessoais já tem um contorno mais nítido, assim como os valores e crenças particulares.

Domínio psicomotor

Referente à destreza e às habilidades psicomotoras. Este domínio não foi categorizado junto com os outros, o que foi feito posteriormente em 5 subáreas organizadas hierarquicamente:

1) Percepção: é a tomada de consciência do mundo exterior através dos sentidos.

2) Predisposição: é a demonstração dos alunos de que estão preparados para realizar as atividades propostas (seja física, mental ou emocionalmente).

3) Resposta guiada: os alunos respondem a partir de instruções dadas pelos professores para guiá-los em um primeiro momento.

4) Resposta mecânica: quando as instruções não são mais necessárias, os alunos passam a fornecer respostas mecânica para as ações.

5) Resposta completa e clara: por fim, os alunos estão aptos a realizarem ações sem precisarem de ajuda.

3 → Como aplicar a taxonomia de bloom

Aplicar a taxonomia de Bloom é uma forma de o educador definir de uma forma mais clara as etapas pelas quais o aluno precisa passar para chegar ao nível de aprendizado desejado. Através dela, é possível ter parâmetros para medir o pensamento e traçar metas e objetivos para o plano de ensino.

A partir da aplicação do conceito, é possível estimular o aluno a pensar sobre o conteúdo ensinado para que ele tire suas próprias conclusões. Veja um exemplo prático de como o domínio cognitivo pode ser aplicado:

  • Lembrar: descreva as operações matemáticas que você já conhece.
  • Entender: examine qual ou quais operações podem ser usadas no problema X e no problema Y.
  • Aplicar: aplique as operações selecionadas nos problemas.
  • Analisar: explique quais são as diferenças da resolução do problema X e do problema Y.
  • Sintetizar: avalie se os problemas poderiam ser resolvidos de uma forma diferente.
  • Criar: Crie um problema matemático usando exemplos do seu dia a dia.

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