Desafios do ensino remoto na educação básica - Studos

Desafios do ensino remoto na educação básica

Longe das salas de aula, os educadores precisaram se adaptar ao ensino remoto em 2020. Para 2021, o desafio continua.

Com as escolas fechadas devido à pandemia, tornou-se urgente o ingresso em uma nova dinâmica para a qual muitos educadores não foram preparados. Até então, as aulas remotas eram permitidas apenas para o ensino superior e para uma parte do ensino médio, não sendo permitidas para a educação infantil e ensino fundamental segundo a legislação brasileira.

Devido à situação atípica na qual nos encontramos, a flexibilização foi a saída encontrada para a retomada do ano letivo. As adaptações repentinas ao ensino remoto, no entanto,  foram (e continuam sendo) repletas de desafios, como a desigualdade de acesso às tecnologias, a falta de estrutura nos lares dos alunos e a falta de preparo tanto de pais e professores quanto dos próprios alunos para o ensino-aprendizagem neste novo cenário.

Mesmo com a chegada da vacina, o ensino híbrido continuará fazendo parte da rotina de professores e estudantes em 2021. Confira neste artigo os desafios do ensino remoto, como ajudar os professores a se adaptarem a essa rotina e qual a importância das metodologias nessa nova realidade.

MENU DE NAVEGAÇÃO

1 → Desafios do ensino remoto na educação básica

2 → Como ajudar os professores nas aulas remotas

3 → Qual a importância das metodologias ativas no ensino remoto

1 → Desafios do ensino remoto na educação básica

Mudanças drásticas tendem a ser estressantes, e com a adoção do ensino remoto na educação básica não foi diferente. Sem o ambiente familiar da sala de aula, todos precisaram aprender a utilizar ferramentas que, até então, eram desconhecidas para muitos. Professores sentiram a sobrecarga dessa nova dinâmica, ao mesmo tempo em que não podiam exigir de seus alunos que permanecessem por muitas horas diante da tela de um computador, tablet ou celular.

A dificuldade de adaptação reflete a necessidade de investirmos mais no desenvolvimento do ensino híbrido no Brasil. A pandemia foi um fator inesperado que nos leva a refletir sobre outros eventos que também podem resultar nos fechamentos das escolas. A digitalização do sistema de ensino feita de forma consciente, estruturada e inclusiva é uma forma de garantir que nenhum aluno fique sem aula em situações atípicas. Além disso, também é um recurso que conversa com as gerações de nativos digitais.

Uma das principais dificuldades enfrentadas pelos professores é a falta de preparação para lidar com a tecnologia, já que muitos cursos de formação sequer contam com disciplinas com este foco em sua grade curricular. Na outra ponta, muitos pais também não estão satisfeitos com essa nova realidade de ensino. Eles não têm o preparo para instruírem os filhos e já não podem contar com a mesma proximidade dos professores que eles tinham antes.

É difícil para o professor identificar quais alunos estão com dificuldades, o que aumenta a preocupação dos responsáveis.

2 → Como ajudar os professores nas aulas remotas

Confira algumas dicas e dinâmicas que podem ajudar na rotina de aulas remotas:

Inverter o papel de professores e alunos: essa é uma dinâmica que foge do padrão e ajuda o aluno a sair da sua rotina. Ao invés de o professor elaborar questões e exercícios, são os alunos que executam essa tarefa. Assim é possível diagnosticar o que eles aprenderam e discutir as questões elaboradas para o grupo.

Use outros recursos além do vídeo: alguns alunos não se sentem confortáveis em frente a uma câmera, e isso pode influenciar no seu rendimento durante as aulas e participação nas atividades. Trabalhar com áudios ou mensagens escritas pode ser uma maneira mais fácil de driblar a timidez ao mesmo tempo que promove o aprendizado e estimula a comunicação.

Diversifique as atividades: assim como é feito em sala de aula, os trabalhos online também podem ser diversificados para chamar a atenção dos alunos. Uma ideia é propor o desenvolvimento de projetos simples de áudio/audiovisual, nem sempre seriam possíveis no dia a dia de sala de aula, e ajudam a aproximar o aluno dos colegas e dos professores.

Não faça atividades muito extensas: essa dica também vale para alunos do ensino médio e do Fundamental II, mas é especialmente importante para alunos do Fundamental I. Se manter os alunos atentos em sala de aula já é difícil, em frente à tela do computador é um desafio ainda maior. Crianças menores não conseguem se concentrar por muito tempo, então as atividades não devem ultrapassar 30 minutos.

Para alunos maiores, a explicação do conteúdo não deve ultrapassar 20 minutos, com mais 15 a 25 minutos para a resolução dos exercícios. Os intervalos também são importantes para que os alunos consigam descansar e retomar o foco. Leve em conta que ficar sentado em sala de aula por 4 horas é muito diferente de passar o mesmo tempo em frente ao computador.

3 → Qual a importância das metodologias ativas no ensino remoto

Com o distanciamento, o uso de metodologias ativas se torna ainda mais importante para envolver o estudante no processo de aprendizagem.

O objetivo dessas metodologias é estimular os alunos a pesquisarem, refletirem e analisarem situações de forma crítica, ao mesmo tempo em que contam com a mediação do professor ao longo do processo. Em outras palavras, o processo de ensino-aprendizagem é construído em conjunto com a participação ativa do aluno, ao invés de ele apenas receber os conteúdos passivamente.

Os Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA), por permitirem diversos recursos interativos com o foco na aprendizagem do aluno, constituem um bom cenário para o uso de metodologias ativas, cabendo ao professor a didática que propicie essa aplicação.

Confira três modalidades de ensino que utilizam metodologias ativas que se adequam ao ensino remoto:

Sala de aula invertida

A ideia aqui é inverter o modelo tradicional: os alunos estudam a matéria fora do horário de aula (como se fosse o dever de casa) e fazem as atividades em live, junto com os colegas e o professor. Dessa forma, o aluno já chega na aula com uma base do conteúdo e fica mais fácil para o professor identificar as dúvidas e esclarecer durante as atividades. Além de propor uma forma diferente de aprendizado, essa modalidade estimula o aluno a trabalhar a sua autonomia nos estudos.

Ensino híbrido

A modalidade que combina o ensino presencial e remoto tende a ser comum mesmo após a vacina. Aqui o aluno aprende em sala de aula com o professor e os colegas e complementa os estudos sozinho em casa com o auxílio de materiais digitais ou físicos. O formato também trabalha a autonomia do aluno e torna o seu aprendizado mais dinâmico, uma vez que oferece a ele diferentes formas de completar uma mesma tarefa.

Gamificação

Em um primeiro momento o termo pode remeter a jogos digitais educativos usados em algumas escolas, mas ele vai além disso. A gamificação usa a mecânica dos jogos como base para a construção de atividades que engajem pessoas e tornem mais fáceis o aprendizado e a resolução de problemas. Os professores podem utilizar conceitos como desafios, conquistas e recompensas para incentivar os alunos, o que ajuda a despertar um sentimento de conquista e aumento do interesse em aprender. Tudo deve ser desenhado de forma estratégica, de forma que os alunos sempre queiram avançar para a próxima “fase” do “jogo”.

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