Carreira Militar Feminina: Conheça a história da Vanessa

Se você está pensando em ingressar na Carreira Militar Feminina, não deixe de conhecer a história da Vanessa. Ela, como muitas mulheres, tinha o sonho de entrar na carreira militar feminina. E adivinha? Com muita determinação, ela alcançou a aprovação no Concurso da Marinha do Brasil!
Agora, Vanessa conta um pouco da sua história e relata sua experiência como militar.

Depoimento Vanessa 

Eu queria muito ingressar na Marinha. Dentre as três Forças Armadas, a Marinha era a que mais me chamava a atenção – pelo seu uniforme, pelo campo de atuação. Em 2009, conclui a graduação em Serviço Social e, no mesmo ano, prestei concurso para ingresso como Oficial do Corpo Auxiliar do Quadro Técnico. Infelizmente, não fui aprovada, porque não estudei.
No ano seguinte, em 2010, enquanto fazia residência multiprofissional em saúde, estudava para o concurso da Marinha. Dessa vez, consegui a aprovação, fruto de muito estudo. No dia 14 de março de 2011, iniciei um período de duas semanas de Adaptação, no Centro de Instrução Almirante Wandenkolk (CIAW).

Primeiros passos na carreira militar feminina

Como o CIAW é uma ilha, o deslocamento era realizado por meio de uma embarcação. Nessas duas semanas, só podíamos voltar para casa na sexta-feira. A rotina diária era bem intensa: muitas palestras durante o dia e a noite, treinamento da marcha militar, treinamento físico militar. Dormíamos tarde e acordávamos muito cedo. O alojamento era inspecionado à noite e de manhã. Tudo precisa estar limpo e organizado, inclusive o lençol da cama bem esticado.
No último dia da semana de adaptação, nos acordaram de madrugada para uma ‘ralação’: correr, rolar e rastejar no chão. Mas, no meu alojamento, ficamos sabendo o que ia acontecer. Então, estava preparada. Depois das semanas de adaptação, teve início o Curso de Formação de Oficiais (CFO), no CIAW mesmo. Nas semanas de adaptação éramos chamados de candidatos.

No Curso de Formação de Oficiais

Quando começou o CFO fomos ‘promovidos’ a Guarda-Marinha (isto é, Aspirante a Oficial). A rotina diária do curso era de treinamento físico militar (aqui era uma disciplina), aulas teóricas, serviço, treinamento da marcha militar. As aulas ocorriam durante toda a manhã.
O curso era composto por várias disciplinas, como: armamento portátil e tiro, relações humanas e liderança, história e tradições navais, procedimento militar-naval, entre muitas outras. Tínhamos obrigações, que eram o denominado ‘serviço’.
Havia uma escala semanal de serviço, em que todos os alunos do CFO participavam. Pelo menos uma vez por mês estávamos escalados para algum serviço, a saber, acompanhante do Oficial de Serviço, acompanhante do Oficial do Corpo de Alunos, responsável pelo alojamento (limpeza e organização). Além desses serviços, cada aluno tinha um encargo fixo, uma responsabilidade que duraria até o final do ano.
O meu encargo, por exemplo, era ‘inspeção de saúde e dispensa médica’. Eu era responsável pelo acompanhamento de todas as situações relacionadas às questões de saúde da minha turma, e no final de cada mês deveria fazer um relatório. Era uma rotina intensa, com muitas atividades. Mas eu pensava que o curso seria mais difícil, principalmente no treinamento físico-militar.

Rotina no CFO

Ninguém podia andar sozinho, somente com a sua turma (ou pelotão). E a cada dia um de nós era o monitor da turma, que deveria conduzi-la em todas as atividades: para a sala de aula, para o rancho, no desfile em continência. Havia inspeção de uniforme quase todos os dias, assim como desfile em continência ao Comandante do Corpo de Alunos (COMCA).
Ficávamos em pé, no sol (no calor do Rio de Janeiro), imóveis, por um longo período, para a inspeção e na preparação para o desfile. Mas o tempo maior que ficamos em pé, no sol, foi durante os ensaios para a formatura. A nossa resistência física nesse momento era testada. Também fazia parte do CFO o estágio de adaptação, que tinha a duração de um ou dois meses (não me lembro bem). O estágio era realizado no final do curso, em Organizações Militares específicas da área profissional dos futuros Oficiais.
Vanessa - carreira militar feminina
Foto: Vanessa dos reis

Função exercida e formatura

Eu, por exemplo, estagiei na Diretoria de Assistência Social da Marinha (DASM), no Serviço de Assistência Social da Marinha (SASM), no Hospital Naval Marcílio Dias e no Centro de Instrução Almirante Alexandrino (CIAA). O período do estágio foi muito bom porque pude conhecer como é a atuação do Serviço Social na Marinha.
Além disso, pude tirar umas férias do CIAW. Depois do estágio, retornamos ao CIAW somente para ensaiar para a formatura, pois as aulas já tinham acabado. No mês de outubro eu soube que serviria na Escola de Aprendizes Marinheiros de Santa Catarina (EAMSC), localizada em Florianópolis. No início de dezembro ocorreu a cerimônia e o baile de formatura. Foram momentos inesquecíveis para mim, para minha família e para meus colegas de curso.
Durante o curso fomos tratados como alunos, inclusive pelos instrutores de Educação Física, que eram sargentos – não tínhamos regalias, éramos controlados boa parte do tempo, não podíamos acessar determinados espaços. Mas, até aí, tudo bem para mim.

Primeiro-Tenente

O que me deixou muito chateada foi o descaso de alguns Oficiais do CIAW após a formatura. Eu já era Primeiro-Tenente. Precisava da ajuda deles para que enviassem uma mensagem para a EAMSC solicitando, para mim, uma reserva no hotel de trânsito (não conhecia ninguém na cidade e precisava de um lugar para ficar). Foi um parto para conseguir que a mensagem fosse enviada. E, na realidade, nem sei se a mensagem foi transmitida, porque quando cheguei na EAMSC não havia reserva de quarto. Mas consegui um lugar para ficar, com a ajuda de pessoas especiais.
No dia 24 de janeiro de 2012, me apresentei na EAMSC e iniciei minhas atividades como militar e como Assistente Social. No começo foi tudo muito bem. Fui recepcionada na Praça D’Armas, assim como todos os Oficiais o são.
Como Oficial, tive que aprender a ‘dar serviço’. Por isso, acompanhei os Oficiais de Serviço (OSE) para conhecer a rotina e tive que fazer uma prova, para avaliar o que havia aprendido. Não fui muito bem nessa prova, mas atingi a pontuação necessária.

Últimos passos na carreira militar feminina

Na Marinha o Oficial tem muitos benefícios, mas também muitas responsabilidades e, por isso, é muito cobrado. Quando em serviço e na ausência do Comandante da Organização Militar (OM), o Oficial de Serviço o representa na Organização Militar. Assim, toda a responsabilidade pelo serviço é do OSE. Se algum militar do grupo de serviço comete um erro, o Oficial é responsabilizado junto com o militar que cometeu o erro.
E nem sempre todos os militares do grupo de serviço colaboram com o Oficial. Então, o Oficial tenta ganhar o respeito de seu grupo de serviço pela intimidação ou pela sua postura ética. Eu, particularmente, não tive boas experiências enquanto Oficial de Serviço e também enquanto militar.
O assédio moral, relacionado ao sexo, era explícito. O assédio originava-se de alguns Oficiais homens que estavam em uma posição hierárquica superior. Não apenas eu, mas outras militares também passaram por situações de constrangimento.
Como assistente social, trabalhava no Núcleo do Serviço de Assistência Integrada ao Pessoal da Marinha (N-SAIPM). O N-SAIPM era formado por uma equipe multiprofissional: duas assistentes sociais, uma psicóloga, um bacharel em direito, uma arte terapeuta e três servidores administrativos. Gostava muito de trabalhar ali. Era um refúgio.
Fui percebendo aos poucos que aquele espaço não era para mim. Por isso, decidi sair da Marinha. Em 2014, pedi baixa da carreira militar feminina, pois fui aprovada em outro concurso.”
Vanessa - carreira militar feminina
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Vanessa - carreira militar feminina
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