#2 Redação nota 1000: possível tema para o ENEM 2020

Com a data do ENEM 2020 cada vez mais próxima, faz-se necessário o exercício constante da redação. Sendo assim, a Studos, em parceria com o professor Everaldo Radlinski, preparou mais uma publicação sobre um possível tema para você. O segundo tema escolhido, que dá sequência à série de seis publicações, é “o combate à hipersexualização das crianças nas redes e na mídia”

A temática, sugerida pela Studos, de hipersexualização de crianças tomou conta das redes a partir da censura do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos quando do lançamento do filme “Lindinhas” na plataforma Netflix. A ficção ilustra/narra o alto percentual de exposição de crianças à sexualização precoce própria de criminosos virtuais. Há muito essa especulação sexual distorcida povoa o cotidiano de crianças e adolescentes, de tal modo que a visualização de interesses pautados pelo erotismo, pela sensualidade e pela erotização precoce invadem o imaginário infanto juvenil. Portanto, esse tema cai bem para um treinamento focado, valioso e com expectativa de cobrança, já que o tema vai ao encontro de uma postura do Ministério de Damares!

“O material, cuja produção também foi realizada segundo o método Radlinski, conta com a proposta de redação, os textos motivadores e o repertório sociocultural”. Os textos apresentam imagens, manchetes e notícias. Lembre-se sempre de utilizar um repertório sociocultural produtivo, demonstrando, assim, seu conhecimento de mundo e sua capacidade argumentativa. 

Para obter um melhor resultado, enfatizamos que é importante fazer a leitura do material na íntegra e, em seguida, o exercício da escrita.

MENU DE NAVEGAÇÃO

1 → Proposta ENEM

2 → Instruções

3 → Seleção de argumentos – Método Radlinski

Proposta ENEM

Lindinhas: Filme adolescente premiado ganha trailer e vira alvo de campanha  de ódio

Texto 1

Entenda o caso ‘Lindinhas’, que fez a Netflix ser acusada de sexualizar as crianças

(12/09/20) A jovem protagonista [uma menina de 11 anos], interpretada pela atriz Fathia Youssouf, vive um embate entre as descobertas de sua nova vida e as suas origens e costumes. Mas o que poderia ser mais um filme sobre diferenças culturais e as descobertas do começo da adolescência virou objeto de uma série de polêmicas. O longa, acusado de sexualizar crianças, chegou aos assuntos mais comentados no Twitter nos Estados Unidos quando estreou no catálogo da Netflix. […] O pontapé inicial foi um cartaz de divulgação, lançado pela Netflix em agosto. A imagem, que é uma reprodução de uma cena do filme, mostra o quarteto de amigas em cima de um palco, com roupas curtas, em poses que lembram movimentos da dança conhecida como twerking, com movimentos sensuais. Depois de uma primeira leva de críticas, a empresa de streaming removeu o cartaz. Com a estreia do longa, a polêmica ressurgiu e foi um dos assuntos mais comentados nas redes. Há também duas petições online, uma pedindo que a Netflix retire o longa de seu catálogo e outra que pede que as pessoas cancelem suas assinaturas. Até a publicação desta reportagem eles tinham 203 mil e 623 mil assinaturas, nesta ordem. […] a Netflix também emitiu um comunicado, afirmando que o filme se preocupa com as mesmas coisas que os escandalizam. “’Lindinhas’ é uma crítica social à sexualização de crianças. É um filme premiado, com uma história poderosa sobre a pressão que jovens meninas sofrem das redes sociais e da sociedade em geral enquanto crescem – e encorajamos qualquer pessoa que se importa com esse tema fundamental a assistir ao filme”, diz o texto oficial.

[Adaptado] https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2020/09/entenda-o-caso-lindinhas-que-fez-a-netflix-ser-acusada-de-sexualizar-as-criancas.shtml

Texto 2

Rede social não é lugar para criança

Uma pesquisa mostra que mais de 60% das crianças brasileiras com 7 a 12 anos se expõem em serviços como Facebook e WhatsApp.

[Adaptado] https://medimagem.com.br/artigos/rede-social-nao-e-lugar-para-crianca,38618

Texto 3

Efeitos da hipersexualização: meninas transformadas em ‘Lolitas’

Roupas, brinquedos e séries de TV inoculam de forma sutil a erotização precoce no universo infantil.

Matéria polêmica publicada na Vogue França em 2011.

[…]. Essa hipersexualização do universo infantil acarreta uma aproximação muito violenta e distorcida do mundo da sexualidade adulta, perdendo-se experiências imprescindíveis que vão introduzindo de forma saudável e gradativa uma parte essencial do que depois será sua vida conjugal e sua forma de entender as relações sociais, não só sexuais. O erotismo, a sensualidade e a sexualidade são capacidades que se desenvolverão paulatinamente, assumindo uma forma específica em cada etapa do desenvolvimento e aproximando-se dos padrões adultos na adolescência. Há sexualidade nas crianças, é óbvio, porque é condição humana, mas muito diferente da que a mídia mostra a elas e a nós. Expressa-se na consciência de identidade de gênero, em saber que é homem ou mulher, nos jogos de papéis (quando brincam de casinha), na curiosidade saudável de conhecer as diferenças no corpo do outro, mas não há erotização alguma nisso. Trata-se de um processo que, se não for adulterado por interesses comerciais e tóxicos, levará a uma sexualidade adulta livre.

 [Adaptado] https://brasil.elpais.com/brasil/2017/05/30/cultura/1496151116_106223.html

Com base na leitura dos textos motivadores e nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo em norma culta escrita da língua portuguesa sobre o tema “o combate à hipersexualização das crianças nas redes e na mídia”, apresentando proposta de intervenção sociocultural, que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.

Instruções
1. Leia e observe atentamente a proposta. 
2. Evite copiar trechos dos textos apresentados. 
3. Ocupe as linhas de uma margem até a outra e observe o espaçamento adequado entre as palavras. 
4. Não escreva em versos, use linguagem clara e utilize a norma culta da língua portuguesa. 
5. Não se esqueça de dar um título à sua redação (facultativo na opção ENEM). 
6. Use caneta com tinta preta ou azul para transcrever seu texto do rascunho para a folha oficial de redação. 
7. Escreva com letra legível. 
8. Não serão corrigidas redações escritas a lápis nem redações na folha de rascunho, ou ainda, ilegíveis, ou as linhas escritas no verso ou fora do máximo permitido. 
9. Mínimo de 07 (sete) linhas ENEM e máximo de 30. 

10. Será atribuído zero à redação com fuga total do tema ou resultante de plágio, ou ainda, desobediência à estrutura dissertativo-argumentativa, impropérios, desenhos e outras formas propositais de anulação ou parte de texto desconectada do tema.

Método Radlinski – Seleção de argumentos – ENEM

Sugestões de informação para desenvolvimento 01

Argumento por autoridade e por ilustração fictícia:

Tema de redação Enem

https://twitter.com/secomvc/status/1308413137377546240/photo/1

“Crianças e adolescentes são o bem mais precioso da nação e o mais vulnerável. É interesse de todos nós botarmos freio em conteúdos que as exponham à erotização precoce”, defendeu a ministra @DamaresAlves ao falar sobre o pedido de suspensão do filme Lindinhas (Cuties) no Brasil.

https://www.cartacapital.com.br/educacao/cuties-damares-faz-leitura-sensacionalista-de-filme-que-quer-censurar-dizem-especialistas/?utm_campaign=newsletter_carta_educacao_24092020&utm_medium=email&utm_source=RD+Station

Argumento por ilustração real:

MC Melody voltou a presentear a internet com seus clássicos falsetes ao lançar uma paródia de Vai Malandra, música mais recente da cantora Anitta. Teve direito até à cena do biquíni de fita isolante – com um figurino mais comedido, e bonecas de plástico em vez de modelos.

Mesmo tendo apenas 10 anos de idade, o vídeo começa na conhecida cena em que a câmera foca no bumbum de Anitta – só que, desta vez, duas bexigas estão no lugar quando a garota sobe na moto, usando apenas um capacete simples, sem a proteção completa.

A paródia brinca com a letra da música original substituindo a palavra “malandra” por “baranga”. A história de uma garota feia que passa a mudar de hábitos e vira “ex-baranga” é o mote do clipe, em que Melody também ‘malha’ em equipamentos públicos e toma banho em um carrinho de mão.

https://istoe.com.br/mc-melody-lanca-parodia-de-vai-malandra/

Argumento por autoridade e por ilustração real:

Foto: Reprodução/ Instagram

Uma polêmica envolvendo Gabriella Abreu Severino, a MC Melody, de 11 anos, trouxe um debate bastante atual: qual o limite da exposição de crianças e adolescentes nas redes sociais? E quando isso deixa de ser algo saudável e passa a representar um perigo? Outro ponto a ser discutido é o perigo da hipersexualização de crianças e o papel da família nesse cenário.

O debate ficou mais forte na última quarta-feira, quando o youtuber Felipe Neto declarou que a menina estava banida de seu canal e acusou o pai de ser o responsável pelo forte apelo sexual dos trabalhos da cantora. O pai de Melody, por outro lado, alegou que não via excessos nas imagens e a discussão tomou conta das redes sociais.

Camila Machuca, que é psicóloga clínica infantil, é enfática: a função de proteger a criança – que não tem competência psicológica e maturidade para compreender os riscos de determinados comportamentos – é dos pais. “Hoje vemos que as crianças são bombardeadas com excesso de conteúdo pelas diferentes mídias, o que acaba estimulando a aceleração de etapas de desenvolvimento em diversos aspectos, um deles é a questão da sexualidade”, aponta.

https://www.gazetadopovo.com.br/viver-bem/comportamento/exposicao-de-filhos-e-hipersexualizacao-nas-redes-sociais/

Argumento por fato exemplo:

Pais que estimulam comportamento erótico dos filhos estão amputando sua infância, diz especialista

A revista Vogue Kids, em sua edição de setembro, publicou um ensaio de moda em que as peças principais deveriam ser os sapatos infantis, mas acabou chamando a atenção por causa da exposição a que submeteu as crianças em suas imagens. Em sua grande maioria de calcinhas à mostra, sob uma atmosfera provocante, as garotas acabaram no centro de uma discussão sobre a erotização infantil, que se espalhou pelas redes sociais e que agora chega aos ouvidos do Ministério Público, que recebeu, nesta quinta-feira (11), dezenas de denúncias contra a revista.

Não é a primeira nem a última vez que a publicidade sexualiza crianças para vender produtos. Nos portfólios de marcas famosas, não faltam exemplos de anúncios em que modelos infantis assumem posturas adultas e sexy, como é o caso, por exemplo, da marca Lilica Ripilica, que veiculou uma propaganda em que uma menina aparece com o rosto coberto por um creme branco, e o slogan sugere “use e lambuze”.

“É um caso patológico e criminoso”, avalia o pediatra carioca Daniel Becker, responsável pelo blog Pediatria Integrada, um dos primeiros a repercutir e comentar o editorial de moda da revista Vogue no Facebook.

https://crianca.mppr.mp.br/2014/09/11893,37/

Sugestões de informação para desenvolvimento 02

Argumento por autoridade e por ilustração fictícia:

TV Escola exibe documentário sobre a hipersexualização

A TV Escola exibe nesta sexta-feira, 29, o documentário A Indústria do Sexo: Influência sobre as Crianças. O filme, que vai ao ar às 10h, com reprise às 16h, mostra como a exposição de conteúdos com apelo sexual influencia o comportamento de crianças e adolescentes.

De origem canadense, o documentário contém reflexões sobre a exploração da sexualidade pela mídia para estimular o consumo. Durante o programa, uma professora convidada sugere a elaboração de trabalho no qual os alunos façam a comparação do corpo apresentado nos meios de comunicação com um corpo real.

Um dos principais focos do documentário é a confusão causada em crianças e adolescentes expostos ao bombardeio de imagens eróticas exibidas nos meios de comunicação de massa. Em um trecho, o filme exibe fotos de publicações para adolescentes e de revistas pornográficas. A semelhança choca professores, pais e os próprios adolescentes.

http://portal.mec.gov.br/ultimas-noticias/210-1448895310/16556-tv-escola-exibe-documentario-sobre-a-hipersexualizacao

Argumento por autoridade e por fato exemplo:

EROTIZAÇÃO INFANTIL – Juiz suspende circulação de revista por fotos erotizadas de meninas

Revista Vogue Kids nº 22 deve ter exemplares recolhidos das bancas.
Publicação nega intenção de promover ensaio com característica sensual.

Possível tema para o enem

O juiz auxiliar da infância e juventude do Tribunal Regional do Trabalho da 2ª região concedeu liminar em ação cautelar ajuizada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) em São Paulo para que a revista “Vogue Kids n. 22” tenha a distribuição e a circulação suspensas imediatamente.

Segundo o MPT, a revista traz matéria publicitária com exposição de fotos de crianças (meninas) em posições sensualizadas, erotizadas, até mesmo com apelo ou conotação sexual, por se tratar de trabalho infantil artístico, não autorizado pelo ordenamento jurídico, apontando violação ao princípio da proteção integral previsto no artigo 227 da Constituição Federal, Convenção  138 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e legislação trabalhista.

Na ação, que está sob segredo de Justiça, foi requerida ainda a exibição dos alvarás judiciais para a realização de trabalhos artísticos, além de outros documentos.

A Vogue Brasil, responsável pela publicação de “Vogue Kids”, esclareceu que jamais pretendeu expor as modelos infantis a nenhuma situação inadequada no ensaio de moda intitulado “Sombra e Água Fresca”.

“Seguimos princípios jornalísticos rígidos, dentre os quais o respeito incondicional aos direitos da criança e do adolescente. Como o próprio título da matéria esclarece, retratamos as modelos infantis em um clima descontraído, de férias na beira do rio. Não houve, portanto, intenção de conferir característica de sensualidade ao ensaio.”

https://crianca.mppr.mp.br/2014/09/11893,37/

Argumento por fato exemplo:

[ . . . ] Em 2015 a revista Capricho publicou uma matéria sobre a hipersexualização infantil nas redes sociais e citou como exemplo a cantora brasileira Melody, de 13 anos, que apresenta traços de erotização desde o início de sua carreira, quando tinha 8 anos. O post do site problematizou o desaparecimento da infância e como as plataformas online obtém engajamento com as redes sociais destas crianças, além de apresentar um compilado de comentários nas fotos publicadas no Instagram oficial da cantora:

Possível tema para o enem

https://medium.com/la-proleta/armadilhas-do-empoderamento-feminino-o-filme-cuties-e-a-hipersexualiza%C3%A7%C3%A3o-infantil-da0d83642ed9

ARTIGO DE OPINIÃO

Sexualização precoce: precisamos falar sobre erotização infantil

A erotização infantil atravessa as etapas de desenvolvimento da criança e antecipa seus aprendizados, o que pode ser bastante nocivo

As crianças aprendem com tudo o que vivenciam, observam, escutam e, principalmente, com os comportamentos que absorvem dos adultos. Então, é de importância fundamental discutir de que forma os pequenos desenvolvem a relação com o seu corpo e o corpo do outro. A erotização infantil atravessa as etapas de desenvolvimento da criança e antecipa seus aprendizados, o que pode ser bastante nocivo.

Antes de mais nada, é preciso atentar para o fato de que sexualidade é diferente de sexualização. A primeira é inata ao ser humano e deve ser estimulada de maneira saudável, de modo que a criança tenha familiaridade com seu próprio corpo, saiba identificar onde dói para ajudar os pais e cuidadores a tomar conta de sua saúde, e possa se instrumentalizar para estabelecer os limites entre carinho e abuso.

Já a segunda acontece de fora para dentro, ou seja, não é um processo natural da criança, e sim uma manobra que adultiza a criança, muitas vezes é encabeçada pela publicidade infantil.

Qual o limite entre o carinho inocente e a adultização das crianças?

“Ilustremos com uma situação relativamente comum nos dias de hoje: se um menino ou uma menina, ainda pequenos, são apresentados a uma cena de sexo explícito, seja ela televisionada ou assistida ao vivo, muito provavelmente eles, além de não entenderem completamente do que se trata, serão invadidos por uma gama de sentimentos e fantasias a respeito do ato, que pode gerar desde uma excitação exacerbada que provoca ansiedade, até sentir medo por acharem que se trata de algo violento, que machuca, gera dor. Em ambas as situações – ou em quaisquer outras possíveis impressões que os pequenos possam vir a ter em relação ao que viram – o impacto dessa apresentação tão adiantada em suas vidas acaba por trazer interpretações equivocadas, deixando marcas importantes nesse processo”, diz a publicação.

O texto fala sobre a importância de os adultos atentarem para as referências que apresentam às crianças, evitando colocá-las em contato com conteúdos inapropriados, como cenas eróticas em filmes e novelas. Mas, além disso, o texto chama a atenção para o quanto incentivamos beijos e abraços em crianças, muitas vezes de forma nociva para sua individualidade, como quando estimulamos interação com desconhecidos.

“Não é raro vermos adultos incentivando as crianças, seja com perguntas ou como forma de entretenimento, a ter comportamentos que fazem parte do mundo maduro, como namoros e beijos na boca”

“Uma linha bastante tênue passa por esse território, que se justifica tratando do assunto como uma simples brincadeira. O mesmo pode se dar em cenários que parecem ainda mais inofensivos, como quando estimulamos que cantem e dancem utilizando-se de gestos impróprios, usem maquiagens, salto alto e se vistam como ‘gente grande’.”

Isso não quer dizer que as crianças não possam ter curiosidade a respeito do mundo adulto e queiram satisfazer esse interesse pelo que observam, por meio da interpretação lúdica desses papeis. Mas é fundamental que tenham clareza dos limites que existem entre o brincar e a realidade, o que pode ser compartilhado e o que invade os limites do outro. Esse norte será dado sempre pelos adultos, por isso sua participação decisiva nessa condução.

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